A Projeção da Sombra nas Colunas da Loja
Atualizado: 26 de ago.

Por: RBP - Irmão Pedra Bruta
Após décadas de confinamento ritualístico e leituras de manuais de instrução, o verdadeiro maçom bate contra uma parede invisível. É a parede da autoilusão. Ele descobre, muitas vezes a duras e dolorosas pancadas da vida, que a Maçonaria nunca foi sobre retificar o mundo exterior, reformar a sociedade ou corrigir os defeitos dos irmãos de Quadro. A Maçonaria é, em sua essência mais nua e indivisível, um processo de auto-observação radical. E a ferramenta mais afiada desse processo não é o cinzel físico, mas o comportamento do outro.
O que você sente em relação aos seus irmãos — a irritação com a vaidade do Oriente, o desprezo pela soberba de um Alto Grau, o incômodo com a apatia da Coluna do Norte — não diz absolutamente nada sobre eles. Diz tudo sobre você. O outro não é um indivíduo real diante de ti; ele é um espelho que reflete o seu próprio íntimo.
A Psicologia da Sombra e o Malho da Ilusão
Carl Gustav Jung, ao estruturar a psicologia analítica, deu nome a esse fenômeno que os antigos hermetistas já compreendiam: a Sombra. A Sombra é o porão da nossa mente. É o depósito para onde empurramos tudo aquilo que consideramos feio, fraco, vergonhoso ou inaceitável em nós mesmos desde a infância. Como o ego não suporta o peso de se enxergar imperfeito, ele desenvolve um mecanismo automático de defesa: a projeção.
Quando você projeta, o seu cérebro pega o conteúdo oculto da sua própria Sombra e o costura no avental do irmão ao lado. O incômodo visceral que você sente diante do comportamento alheio é, na verdade, o susto do seu inconsciente ao ver a própria Pedra Bruta refletida no outro. Você odeia no outro a vaidade que não tem coragem de admitir em si mesmo. Você critica no irmão o desejo de poder que você camufla sob o discurso da "humildade maçônica".
Assim, o que sentimos dos outros, ou o que os outros sentem de nós, não é a realidade fenomênica. É uma distorção geométrica da nossa própria realidade interna. Vivemos em um salão de espelhos profanos, julgando reflexos e acreditando que estamos travando batalhas morais legítimas, quando estamos apenas lutando contra os nossos próprios fantasmas.
A Dissolução do Julgamento e a Paz do Iniciado
O salto de consciência mais alto do Iniciado acontece quando ele recolhe as suas projeções. Ao usar o Prumo para descer ao centro do Ser, a necessidade de julgar o mundo horizontal desmorona. O homem que compreende a Sombra para de sangrar pelas feridas que os outros tentam abrir nele, pois sabe que o ataque do outro é apenas o grito de dor de uma Sombra alheia projetada.
Compreender isso oferece ao maçom o prêmio supremo da jornada: a equanimidade. No plano puro do Ser, ninguém é bom ou mau. Essas são categorias morais do Nível, rótulos utilitários criados pelo ego para controlar o ambiente.
As pessoas não acordam de manhã com o objetivo de nos ferir ou nos frustrar; elas são apenas o que são. Elas agem de acordo com o nível de consciência, com as fraturas psicológicas e com o grau de cegueira interna que possuem no momento. Elas são pedras em processo de lapidação — algumas mais brutas, outras mais polidas, mas todas submetidas à mesma gravidade divina.
Cessar a guerra contra o espelho e aceitar a realidade como ela se apresenta — sem a lente distorcida das nossas carências — traz uma paz inabalável e uma tranquilidade olímpica para as relações humanas. Você para de exigir que o muro do outro esteja aprumado antes de verificar a corda do seu próprio Prumo. O irmão que atinge esse estado de clareza finalmente deixa de reagir como um profano e passa a irradiar a Luz silenciosa da Estrela Flamígera. Ele não julga a Obra; ele se torna a própria Obra. Obs.: Vc sabia que tenhos mais de 6 livros publicados, se gostou do artigo, consulte nossa area de "Literatura Maçonica" la vc encontrará tudo sobre mesus estudos. TFA
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