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O Espelho de Hiram

20 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 26 de ago.


Se a Maçonaria desaparecesse do mundo amanhã — se todas as potências fechassem as portas, os templos fossem demolidos, os paramentos queimados e as atas confiscadas —, o que restaria de maçonaria dentro de você? Se a resposta for o silêncio ou um vazio desconfortável, você nunca foi maçom. Você apenas comprou um ingresso para um clube de cavalheiros com uma coreografia exótica.

O maçom moderno transformou a Sublime Instituição em um museu de vaidades burocráticas. Discute-se o centímetro exato da abeta do avental, debate-se a pureza ritualística de uma palavra de passe, disputam-se cargos administrativos com o mesmo apetite profano que se vê em partidos políticos. O palácio maçônico está cheio, mas o Templo Interior está em ruínas.

A historiografia nos ensina que a transição da Maçonaria Operativa para a Especulativa, na transição dos séculos XVII e XVIII, não foi um convite para o ócio intelectual. Quando os pensadores iluministas, hermetistas e rosa-cruzes ocuparam as lojas, eles não buscavam status social. Eles buscavam um porto seguro para a heresia do pensamento livre. A loja era um laboratório alquímico de transformação da mente. Hoje, a loja tornou-se, muitas vezes, um refúgio para o pensamento conservador que tem medo da própria sombra e da verdadeira Luz.

O que a doutrina filosófica chama de "desbastar a Pedra Bruta" não é uma metáfora poética para ler no livreto de instrução e esquecer no ágape. É um processo cirúrgico, doloroso e violento contra o próprio ego. O cinzel corta a carne das suas certezas; o malho quebra o orgulho das suas opiniões herdadas. Se a sua prática maçônica não te causa um profundo desconforto íntimo com quem você é hoje, você não está cinzelando nada. Você está apenas espanando a poeira da sua ignorância com uma escova de seda.

Olhe para o seu peito cheio de medalhas e fitas. Olhe para os seus títulos pomposos. Nada disso entra na Câmara de Reflexões. Nada disso sobrevive ao confronto com a morte simbólica. O Iniciado clássico sabia que a Maçonaria serve para uma única e terrível função: morrer para o mundo profano e nascer como uma Consciência Pura, o EU indivisível que observa os próprios automatismos sem ser escravo deles. Se você ainda reage ao mundo com os mesmos preconceitos, com a mesma necessidade de aprovação, com a mesma irá e com a mesma vaidade de vinte anos atrás, o seu avental é apenas um pedaço de pano caro.

A ritualística é um mapa, não o território. O drama de Hiram Abiff não é uma peça de teatro para ser assistida com tédio nas noites de reunião; é a descrição exata do assassinato crônico da sua intuição pelos seus próprios vícios internos (a ignorância, o fanatismo e a ambição).

É hora de um despertar violento da consciência maçônica. Praticar Maçonaria é sustentar o silêncio da Coluna do Norte dentro do caos da vida cotidiana. É ser o compasso que delimita os desejos e o esquadro que retifica a conduta quando ninguém está olhando. Se a sua Maçonaria depende da presença física dos irmãos e do aplauso da loja para existir, ela é profana.

Desperte. Deixe de ser um colecionador de graus e torne-se, finalmente, a Obra. A maçonaria não se pratica na Loja; a Loja é apenas o lugar onde você presta contas da maçonaria que praticou sozinho, no absoluto isolamento do seu Ser.

RBP – Irmão Pedra Bruta Obs.: Vc sabia que tenhos mais de 6 livros publicados, se gostou do artigo, consulte nossa area de "Literatura Maçonica" la vc encontrará tudo sobre mesus estudos. TFA

 
 
 

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