O Profano de Avental e o Crime de Ser Justo

Por: RBP – Irmão Pedra Bruta
Após mais de vinte anos de estudos dedicados a decifrar os mistérios da Maçonaria, a verdade se impõe com o peso de uma abóbada que desaba sobre as nossas cabeças: nós falhamos. O cotidiano das nossas lojas nos revela diariamente uma realidade miserável que preferimos negar com covardia, fechando os olhos para o óbvio. Olhamos para o mundo lá fora e o vemos completamente perdido, desamparado, sangrando e sofrendo na escuridão da ignorância, do fanatismo e da ambição. E a pergunta inevitável que ecoa no silêncio dos nossos templos desertos de alma é: Onde está a Maçonaria?
A Maçonaria continua exatamente a mesma. Os rituais estão impressos, os símbolos estão pintados nas paredes e as palavras de passe continuam sendo sussurradas. O que mudou — e decaiu de forma trágica — foi a matéria-prima humana. Hoje, não temos mais homens com a fibra moral, a coragem civil e o estofo intelectual dos Maçons Aceitos do século XVIII. Nós apenas parecemos maçons. Acreditamos piamente que fazemos Maçonaria, mas que Maçonaria é essa que praticamos? Uma maçonaria de aparências, de compadrio e de banquetes vazios.
A verdade crua e sem filtros é que o maçom moderno operou uma inversão satânica em nosso juramento constitucional: ele usa as colunas da Ordem para erguer templos aos vícios e cavar masmorras às virtudes.
O homem contemporâneo entra na Maçonaria buscando uma grife para o seu ego. Ele quer a chancela da "regularidade" para camuflar sua irregularidade existencial. Testemunhamos diariamente o espetáculo grotesco de irmãos que disputam cargos na Potência com o mesmo apetite profano e desonesto que criticam nos partidos políticos. Vemos homens com o peito carregado de medalhas e faixas purpúreas que são incapazes de sustentar uma conduta ética quando seus interesses financeiros ou de status são contrariados.
Eles aprenderam a usar a máquina institucional para proteger seus privilégios, silenciar as vozes críticas e validar suas próprias fraquezas. O templo, que deveria ser um laboratório de ascese e purificação da mente, virou um refúgio para o comodismo. O esquadro, que deveria retificar a conduta, foi transformado em uma régua flexível que se molda às conveniências do momento.
Neste cenário de decadência generalizada, a Maçonaria moderna cometeu o seu crime mais hediondo: tornar a honestidade um crime mortal. No mundo desonesto que construímos dentro e fora das lojas, o irmão que escolhe agir com retidão absoluta, que se recusa a compactuar com o erro comercializado, com a mentira burocrática ou com a vaidade dos Altos Graus, é marginalizado. Ele é visto como um estorvo, um radical, um "péssimo maçom". Ser justo virou uma heresia punida com o isolamento.
É hora de um choque de consciência violento. Se você precisa do aplauso da loja para se sentir valorizado; se você escolhe o erro que é mais fácil e prazeroso em vez do certo que é doloroso; se você usa a sua influência maçônica para obter vantagens profanas; se você se cala diante da injustiça de um irmão de status para não perder privilégios: tire o seu avental. Você não é maçom. Você é apenas um profano decorado.
A iniciação em loja física foi apenas uma encenação teatral de duas horas na sua vida. A Iniciação real, aquela que rasga a carne do ego e queima as ilusões da mente, nunca aconteceu dentro de você. Você continua governado pelos mesmos medos, pelas mesmas paixões, pela mesma ganância e pelo mesmo analfabetismo espiritual de quando bateu às portas do templo pela primeira vez. O seu título de Mestre ou de Grau 33 é apenas uma mortalha de luxo cobrindo um cadáver moral em putrefação.
A Maçonaria não é um clube de networking com rituais exóticos. Ela é um método cirúrgico de demolição do ego para o nascimento da Consciência Pura. Se a sua prática não te causa um profundo desconforto diário com as suas próprias imperfeições, você está perdendo o seu tempo e o dinheiro das suas mensalidades.
O mundo continua sofrendo porque os homens que receberam a Luz escolheram trancá-la em caixas de vaidade e ostentação. Desperte do seu sono dopaminérgico. Olhe para o espelho do seu íntimo e responda no absoluto isolamento da sua mente, onde nenhuma Grande Secretaria pode te ouvir: você é de fato um construtor da virtude ou é apenas mais um operário do caos disfarçado de irmão? A gravidade do Prumo de Deus não aceita desculpas. Ou você se apruma pela verdade, ou desaba na vala comum dos profanos que usam paramentos. Obs.: Vc sabia que tenhos mais de 6 livros publicados, se gostou do artigo, consulte nossa area de "Literatura Maçonica" la vc encontrará tudo sobre mesus estudos. TFA
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